Torretta
A casa conhecida como Torretta, em Colmegna (aldeia de Luino, no Lago Maggiore, Província de Varese, ao norte da Itália, perto da Suiça, na região da Lombardia), está profundamente ligada à história da família Cantù–Cenni. O nome deriva da estrutura elevada da construção e de sua posição dominante sobre o lago.
Dizia-se que os Cantùs descendiam de uma nobre linhagem, com antepassados ilustres ligados aos Visconti de Milão. O chefe da família, Angelo, tomou posse da Masseria Torretta na segunda metade do século XIX, em consequência de um crédito hipotecário não quitado. Na época, um feitor cuidava dos trabalhos agrícolas e dos animais domésticos: vacas, porcos e aves; no início do outono, mobilizava-se toda a mão de obra local para a vindima, a seleção das uvas e a colheita das castanhas.
Quando Angelo adquiriu a residência, era uma casa rural, típica da Lombardia alpina, construída em uma encosta com vista privilegiada do Lago Maggiore e possuindo uma varanda contínua (loggia) em madeira, voltada para o lago. Angelo fez algumas modificações, transformou os depósitos e estábulo em áreas de habitação, mas manteve a estrutura rústica da casa e sua identidade vernacular. Desde então, a casa de campo e seus arredores, com vinhedos, árvores frutíferas, prados irrigados, e densos bosques de castanheiros seculares, tornou-se o destino preferido dos fins de semana e das férias de verão de toda a família. Com a morte de Angelo, a Cascina Torretta foi igualmente dividida entre os filhos Francesco, Agostino, Luigi e Giuseppe, este último eminente professor de orquestra na Scala de Milão e pai de Maria, Angelo e Agostino.
Lá se encontravam parentes e amigos para férias e fins de semana. Apesar de a masseria inicialmente pertencer à família Cantù, com o passar dos anos foi muito frequentada pelos Cenni: Italo, casado com a neta do patriarca Angelo, mudou-se definitivamente com sua esposa Maria para lá em 1943, fugindo dos bombardeios de Milão, onde viveu até sua morte, em 1956. Quinto, seu pai, gostava de estar na Colmegna com os netos. Franco Cenni, filho de Italo e Maria Cantù, e sua prima Elsa Cantù, filha de Agostino Cantù, conheceram-se nas férias na Torretta, casaram-se e viveram no Brasil.
No século XX houve uma forte procura por refúgios artísticos em busca de isolamento, inspiração e uma atmosfera contemplativa. A paisagem montanhesa envolvendo a casa, o bosque ao fundo e a luz muito particular da região eram fundamentais para pintores.
La Torretta, Colmegna de Luino, pintura de Elda Cenni (janeiro de 1915)
Vista da Torretta
A placa com a casa Torretta ao fundo
Pequena Sanremo
Conforme se diz na região, Torretta era o ponto de encontro de uma verdadeira dinastia artística: os Cantù (pintores e músicos) e os Cenni (ilustradores e pintores), tendo sido realizadas várias exposições em Luino com suas obras. Colmegna, aliás, ficou conhecida no século XX como uma espécie de “pequena Sanremo” do Lago Maggiore, frequentada por artistas diversos e intelectuais.
A Torretta representa um ponto simbólico da memória local e há um grupo cultural chamado Amici dellaTorretta, dedicado a preservar essa herança. Uma rua próxima recebeu o nome de ViaTorretta, o que mostra que o imóvel tornou- se um topônimo. Em 2024, foi inaugurada uma placa comemorativa em Colmegna, lembrando as famílias Cantù e Cenni e sua importância artística.
Placa inaugurada em julho de 2024, com o nome dos músicos e pintores das famílias Cantù e Cenni que conviveram na Torretta
Vista do Lago Maggiore da varanda da Torreta
Luino, na margem oriental do Lago Maggiore
cidade de Luino
Lago Maggiore, situado entre a região da Lombardia, o Piemonte e o cantão suiço do Ticino
Palazzo Verbania (1905), centro cultural de Luino
Silvana Loi, filha de Elisa (irmã de Franco), que foi morar na Torretta nos seus últimos anos
Silvana em um dos seus almoços
Lucio, primo de segundo grau da família Cenni, que morava no sítio ao lado da Torretta, com Rosie Mehoudar (companheira de Roberto) e Marianne (mulher de Lucio)
um dos almoços que Silvana promovia na Torretta