As muitas alunas

Dentre os alunos de Chiaffarelli, pode-se citar: Alice Serva, Alonso Anibal da Fonseca, Antonietta Pasqualle, Antonietta Rudge, Antonietta Veiga, Brites Espinheira, Francisco Mignone, Gilda de Carvalho, Guiomar Novaes, Isabel Azevedo Von Ihering, João de Souza Lima, Kita de Ulhôa Canto, Lucilia Eugênia de Mello, Maria Edul Tapajós, Victoria Serva Pimenta, e muitos outros.

A pianista Guilhermina de Freitas Lobo ficou conhecida como Menininha Lobo, pois Chiaffarelli a chamava de “a menina dos meus olhos musicais”. Ao ver chegar Sofia Veiga de Oliveira, que aos 12 anos foi laureada com o Prêmio Chiaffarelli, dizia: “Aí vem a menina do sorriso”. Segundo Manuel Bandeira, “Luigi era uma doçura de professor, as alunas adoravam-no, mas sabia ser severo quando preciso”. Guiomar Novaes foi sua aluna de maior expressão internacional e com ela se formou a primeira geração de pianistas brasileiros com projeção no exterior.

Ao se verificar os programas dos alunos de Chiaffareli, pode-se constatar a amplitude do repertório desenvolvido, bem como a qualidade técnica que se fazia necessária para executar tantos estilos diversos e obras das mais complexas do repertório pianístico mundial. Além de grandes músicos e musicistas, Chiaffarelli deixou como legado uma escola de interpretação musical existente até hoje através de seus discípulos mais fiéis.

Guiomar Novaes

( São João da Boa Vista, 28 de fevereiro de 1894 – São Paulo, 7 de março de 1979 )

Guiomar Novaes nasceu no interior do estado de São Paulo e foi a décima sétima dos dezenove filhos de seus pais. As irmãs tinham aulas de piano e logo Guiomar, aos quatro anos, começou a tocá-lo de ouvido. Com seis anos, sua família mudou-se para São Paulo e ela iniciou seus estudos com Luigi Chiaffarelli. Segundo depoimentos, ele foi responsável pelo tom incomparável de Guiomar, seu legado sem emenda, sua mão esquerda que cantava frases desconhecidas e seu pedal que sustentava o som como se este estivesse “flutuando” no ar.

Em 1909 ganhou uma bolsa para estudar na Europa e em 1911 tirou o primeiro lugar no prestigiado concurso do Conservatório de Paris, superando dezenas de candidatos — feito raríssimo para uma estrangeira, e ainda adolescente –, tendo sido elogiada por Debussy. Nesse conservatório estudou com o mestre húngaro  Isidore Philipp, que afirmou não ter ensinado nada à aluna e sim aprendido com ela a técnica de Chiaffarelli.

A partir de 1915, Guiomar começou a tocar em várias cidades nos Estados Unidos e foi aclamada pela crítica, que a chamava de Lady of the Singing Tone. Apesar do seu sucesso, a pianista sempre consultava Chiaffarelli sobre as interpretações. Ao se apresentar no Carnegie Hall, foi aplaudida de pé por quinze minutos; após esse concerto, continuou a tocar nos EUA por 57 anos, quando em 1938, depois de uma audição para o presidente Franklin Roosevelt, a imprensa americana a considerou a melhor pianista do mundo. Foi convidada a tocar com as principais orquestras e regentes do século XX. Guiomar ficou especialmente conhecida por suas interpretações das obras de Chopin (que são consideradas referências históricas), Schumann, Liszt e Debussy.

Nas décadas de 1960 e 1970, foi condecorada com diversos títulos, medalhas, insígnias, comendas e homenagens, tanto no Brasil como no exterior. Seu estilo ficou conhecido pela naturalidade, lirismo, clareza de vozes e profundo senso poético, evitando exibicionismo excessivo. Guiomar Novaes consolidou a escola pianística de Luigi Chiaffarelli.

Em 1979 a pianista sofreu um derrame cerebral, vindo a falecer em seguida devido a um infarto, com 85 anos. Todos os grandes jornais americanos publicaram um anúncio fúnebre intitulado In Tribute to Guiomar Novaes. Seu velório aconteceu na Academia Paulista de Letras e foi enterrada no Cemitério da Consolação, ao som da Marcha Fúnebre, de Beethoven, executada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, regida pelo Maestro Eleazar de Carvalho.
Em sua homenagem há uma Rua Guiomar Novaes, no Jardim Santa Lucrécia, zona norte de São Paulo, e uma avenida com seu nome no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.

Vídeo: 72 cartas de Guiomar Novaes ao Maestro Chiaffarelli

Vídeo: Infinitamente Guiomar Novaes, filme de Norma Bengell

Antonieta Rudge

(São Paulo, 13 de junho de 1885 – 13 de julho de 1974)

Suas primeiras aulas de piano foram dadas pela mãe; quando tinha quatro anos, demonstrando grande aptidão para o instrumento, seus pais contrataram o professor francês Gabriel Giraudon. Aos nove anos, Antonieta Rudge já era aluna de Chiaffarelli (coincidentemente Antonieta
nasceu na mesma data da chegada de Luigi ao Brasil) e) e logo teve contato com um repertório bastante avançado; executou composições de Camille Saint-Saëns, Pablo Casals e Harold Bauer por ocasião das visitas desses músicos ao Brasil. Podia tocar de memória o enorme repertório que aprendera, com obras de Bach, Schumann e Liszt entre muitos outros.

Aos vinte anos iniciou sua carreira internacional na Europa, apoiada por seu marido Charles Miller, conhecido por introduzir o futebol no Brasil; em 1922 Antonietta separa-se de Miller para viver com Menotti Del Picchia. A partir de1925 dedica-se com intensidade às atividades pedagógicas, tendo sido convidada para fundar o Conservatório Musical de Santos, em 1927, que chegou a ser uma faculdade de música reconhecida pelo Ministério de Educação. Ao lecionar nessa instituição por mais de 40 anos, orientou muitos alunos, como os compositores José Antonio de Almeida Prado e Gilberto Mendes.

Arthur Rubinstein, pianista polonês grande intérprete de Chopin, conhecido por sua técnica brilhante e grande entusiasmo, afirmou: ”Tenho três grandes paixões na minha vida: Mozart, o Beethoven da segunda fase e Antonieta Rudge executando os dois”.

Faleceu aos 89 anos, em São Paulo, e está enterrada no Cemitério da Consolação. Em sua homenagem, Almeida Prado compôs a obra In Paradisum, que retrata a entrada da pianista no paraíso. A prefeitura de São Paulo encomendou um busto da pianista ao escultor Luiz Morrone, sendo a obra instalada, em 1977, na Praça Portugal. No Jardim Brasil, zona norte de São Paulo, encontra-se a Rua Antonieta Rudge Muller.

áudio

Aos sete, Antonietta Rudge fez sua estreia pública graças ao incentivo dos irmãos, apresentando-se na Casa Levy e, ainda criança, continuou a impressionar o público em clubes importantes de São Paulo, como o Clube Internacional e o Clube Germânia. Com Luigi Chiaffarelli, Antonietta aprofundou sua formação musical e ampliou seu repertório, tendo contato com uma escola de interpretação que revelaria grandes pianistas. Graças a
Chiaffarelli, participou de apresentações de música de câmara com artistas consagrados que visitaram o Brasil, como Camille Saint-Saëns, Pablo Casals e Harold Bauer.

Vídeo: Antonieta Rudge - O Êxtase em Movimento, filme de Norma Bengell

Anterior
Anterior

Luigi

Próximo
Próximo

Escola Chiaffarelli