Comemoração do centenário de nascimento de Luigi Chiaffarelli, 1956 ( Liddy de óculos, atrás dela Francisco Mignone e em pé Villa Lobos )
Escola Chiaffarelli
Luigi faleceu aos 66 anos de tuberculose, doença que já havia vitimado uma de suas irmãs e que era conhecida na época como “mal do século”. A missa em sua homenagem aconteceu no mosteiro de São Bento, que foi tomado pelas alunas, amigos e admiradores, com a presença de orquestras, cantos litúrgicos e organistas. Ao término, as alunas foram em romaria ao seu túmulo depositar flores, no Cemitério da Consolação, quando discursou o dr. Reynaldo Porchat, diretor da Faculdade de Direito da USP, enaltecendo “ a erudição perfeita, sem jactância: o talento primoroso, sem vaidades; a exigência presente no ensino de Chiaffarelli”. E continuou assim: “mas era sempre afável, comunicativo e cortês...Recebia com a mesma generosidade a todos os artistas que revelavam mérito, descobrindo e cultivando o talento de meninas de condição modesta; várias instituições de caridade lhe pediram ajuda e Chiaffarelli as atendia, organizando apresentações de suas alunas”. Terminou afirmando que “as brilhantes alunas hão de manter, religiosamente, a fama da ‘Escola Chiaffarelli’, a qual foi, incontestavelmente, o maior e o mais eficaz fator do progresso da música entre nós”.
Após sua morte, houve vários concursos e concertos prestando-lhe homenagem. No seu centenário, no intervalo do concerto realizado no Teatro Municipal de São Paulo – do qual participaram alguns de seus alunos mais destacados, executando obras para três pianos e orquestra –, foi inaugurado um busto de Chiaffarelli no saguão do teatro, escultura esta que havia sido ofertada pelos seus alunos quando o maestro completara 60 anos.
Com sua pedagogia instrumental e teórica pioneira, desenvolvendo conceitos como o de que, para se ter uma boa técnica, é necessário o aprendizado de estética e estilos musicais, Chiaffarelli influenciou todo o ensino de música que lhe sucedeu, além de transformar o ambiente musical paulista, dando profundidade ao estudo de piano que antes pertencia apenas a uma elite aristocrática reunida em volta da Corte. Quando faleceu seu genro Agostino Cantù, houve a doação da biblioteca da rua Padre João Manuel para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, entidade de cuja fundação Chiaffarelli participou, em 1906, e onde lecionou. O seu órgão foi doado ao Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara. Há uma Rua Maestro Chiaffarelli no Jardim Paulista, no centro expandido da cidade de São Paulo.
Homenagens
tese de doutorado sobre Luigi Chiaffarelli
Maria Francisca Paez Junqueira
Relevo em metal feito em homenagem a Luigi Chiaffarelli por ocasião de seu falecimento, por iniciativa de seus alunos e amigos (1923)
medalha Prémio Luigi Chiaffarelli, no concurso "A Tarde da Criança" (1924)
Jornal Folha da Manhã, de 16 de agosto de 1959, reportagem homenageando Luigi Chiaffarelli; a foto mostra a filha (Liddy), a neta ( Elsa) e o bisneto (Roberto) em frente ao painel pintado por Franco Cenni, em sua residência na Rua Bocaina.
Concurso de piano organizado por Liddy e Mignone para comemorar o centenário do nascimento de Luigi Chiaffarelli (agosto 1957)
Banda da Lapa (leia mais - clique na foto)
Método Chiaffarelli
Luigi Chiaffarelli e as Pianistas Brasileiras
Uma conferência ilustrada por William Daghlian
Segunda-feira, 26 de abril de 1993
Sob os auspícios da Embaixada do Brasil
No Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos,
Washington, DC
Em seu livro The Great Pianists, Harold Schoenberg capta o impacto extraordinário de Guiomar Novaes em sua estreia em Nova York: “ela deixou os críticos em completo frenesi”. Aldrich, do New York Times, chamou-a de “uma musicista com a graça de Deus”; Sanborn, no Globe, descreveu-a como “uma jovem gênia do piano”. Finck, do The Post, comparou-a ao seu ideal — Ignacy Jan Paderewski — e escreveu que “jamais se ouvira execução mais inspirada no Aeolian Hall”. É evidente que uma pianista desse nível não surge do nada.
Deve haver uma estrutura que nutra tal talento. A maioria dos livros de referência americanos atribui a Isidor Philipp a formação de Novaes. É verdade que ela estudou com esse professor no Conservatório de Paris; no entanto, o próprio Philipp afirmou que as ideias musicais e a técnica de Guiomar Novaes estavam completamente formadas antes de suas aulas com ele. O professor responsável pela infraestrutura que criou Novaes foi Luigi Chiaffarelli.
Luigi Chiaffarelli and the Brazilian Women Pianists
An illustrated lecture by William Daghlian
Monday, April 26, 1993
Under the auspices of the Brazilian Embassy
At the Brazilian-American Cultural Institute
Washington, DC
In his book The Great Pianists, Harold Schoenberg captures the extraordinary impact Guiomar Novaes had at her New York debut: “she threw the critics into a tizzy.” Aldrich of The New York Times called her “a musician by the grace of God”; Sanborn in the Globe described her as “a young genius of the piano.” Finck of The Post compared her to his ideal — Paderewski, and wrote that “more inspired playing has never been heard in Aeolian Hall.” It is obvious that a pianist of this caliber does not appear out of nowhere. There has to be an infrastructure to nurture such a talent. Most American reference books credit Isidor Philipp as Novaes’ teacher. It is true that she studied with him at the Paris Conservatoire. However, Philipp himself said that her musical ideas and technique were completely formed before she studied with him. The teacher responsible for the infrastructure that created Novaes was Luigi Chiaffarelli.
Discurso por ocasião da homenagem a Luigi Chiaffarelli em Cercemaggiore
6 de agosto de 2022, encontro à Porta do Mundo
A cerimônia que todos os anos o Município de Cercemaggiore dedica aos seus “Filhos no mundo”, neste lugar que desde 2.006 se tornou seu símbolo, quer, em sua pequena medida, dar um reconhecimento àqueles seus cidadãos emigrados que, em várias partes do mundo, deixaram um exemplo, um modelo de vida. Neste ano, a placa que vamos revelar daqui a pouco traz o nome de Luigi Chiaffarelli. A família Chiaffarelli é grande, e aqui em Cercemaggiore conta com alguns descendentes, ainda que o sobrenome Chiaffarelli tenha permanecido apenas como apelido.
Discorso pronunciato in omaggio a Luigi Chiaffarelli em Cercemaggiore
6 de agosto de 2022, ritrovo alla Porta Del Mundo
La cerimonia che ogni anno il Comune di Cercemaggiore dedica ai suoi ‘Figli nel mondo”, in questo luogo che sin dal 2006 ne è diventato il simbolo, vuole nel suo piccolo dare un riconoscimento a quei suoi cittadini, emigrati, che in varie parti del mondo hanno lasciato un esempio, un modello di vita. Quest’anno la targa che scopriremo tra poco porta il nome di Luigi Chiaffarelli. Una grande famiglia, quella dei Chiaffarelli, che qui a Cercemaggiore annovera alcuni discendenti anche se il cognome Chiaffarelli è rimasto solo come soprannome.
Reportagem da Revista Cigarra sobre a morte de Luigi Chiaffarelli
Túmulo Chiaffarelli, Cemitério da Consolação com a imagem da escultura Euterpe
Folder do Cemitério da Consolação com a imagem da escultura Euterpe
Pequeno impresso como lembrança de luto pelo falecimento de Luigi Chiaffarelli (junho 1923)
Anúncio na Folha da Noite sobre a morte de Luigi (reapresentado 100 anos depois)