Zitú e Mário (1936)
Zitú com Mário (1939)
Franco e Mário (1940)
Mário Agostino Cenni
(São Paulo,12 de julho de 1935 – Belo Horizonte, 29 de novembro de 2001)
Nascido em uma família de artistas, músicos (Chiaffarelli e Cantù) pelo lado materno e pintores (Quinto, Italo e Elda Cenni) pelo lado paterno, Mário graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1958. Seu pai Franco, também pintor, incentivava a formação na área de exatas, pensando em um futuro mais confortável para seu filho.
No ano de 1954 conheceu Anna Maria Navarro Frauendorf, com quem se casou em 1959. Tiveram cinco filhos, que lhes deram dez netos e sete
bisnetos. Durante o período de namoro, o casal frequentou a Confederação das Famílias Cristãs, com sede na Av. Paulista, em São Paulo, e participou, juntamente com alguns casais amigos, da organização do primeiro curso de noivos no Brasil, sob a orientação do futuro bispo D. Benedito Ulhôa Vieira.
Em 1963, após ter se especializado na área de soldagem em Milão, na Itália, foi convidado a transferir-se para Belo Horizonte e trabalhar na ESAB - Eletrosolda Autógena Brasileira, companhia de origem sueca que fabricava eletrodos, na qual permaneceu atuando na área de produção por 33 anos. Era grande entusiasta da festa dos funcionários, época em que havia a distribuição de cestas de natal em volta da figueira frondosa, e também da comemoração da Páscoa, com doações para os trabalhadores. Fundou a ABS - Associação Brasileira de Soldagem, em 1979, que foi originária da ABM - Associação Brasileira de Metais, com sede em São Paulo, presidindo a ABS por várias gestões. Representou o Brasil junto ao IIW- International Institute of Welding, participando durante vários anos de seus simpósios internacionais e chegando à vice-presidência dessa instituição. No Brasil, organizou e apresentou trabalhos em diversos congressos nacionais e internacionais de soldagem, bem como colaborou em várias revistas especializadas e prestou assessoria nessa área em todo o país e no exterior.
Foi membro fundador do Centro das Indústrias das Cidades Industriais de Minas Gerais CICI/MG e participou da FIEMG - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, principalmente na área de qualidade. Ainda como empresário, atuou desde a década de 1970 na ADCE - Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas, organização que reúne líderes empresariais comprometidos em adotar a Doutrina Social Cristã no campo dos negócios, promovendo uma economia centrada na dignidade humana e no bem comum. Chegou a ser presidente da ADCE e por essa associação organizou, incentivou e participou de várias edições do programa Compromisso Social, levado ao ar mensalmente pela TV Horizonte.
Mário com seu cachorro (1940)
Liddy, Mário e Elsa (1951)
Mário (1952)
Mário (1953)
Casamento de Mário Cenni e Anna Maria Frauendorf; Liddy, Mignone, Roberto e Mário (15 de maio de 1959)
Casamento de Mário e Anna Maria; Franco, Elsa, Liddy, Anna, Mário e Roberto (15 de maio de 1959)
Elsa carregando Marcelo, Mário, Franco com Mário Júnior no colo e Roberto (1961)
Anna Maria com Mário Júnior, Liddy com Marcelo no colo e Roberto (1961)
Anna Maria com seus filhos Ana Liddy, Mário Júnior, Marcelo e Marcos
Mário (década de 1970)
Mário (década de 1970)
Anna Maria e Mário (década 1980)
Atuações Diversas
Tendo morado 39 anos em Belo Horizonte, desenvolveu várias atividades em diversas áreas. Entre 1971 e 1974 foi juiz cinófilo do Kennel Club do Brasil e criador de cães da raça boxer. No início dos anos 1980 foi diretor social do Clube Campestre de Belo Horizonte. Incentivou seus cinco filhos a sempre praticar esportes, principalmente basquete e vôlei, e foi entusiasta do time de futebol da ESAB, fundado em 1970, que jogou na primeira divisão mineira de 1974 a 1977 e chegou a vencer partidas contra os melhores times de Belo Horizonte. Participou de muitos campeonatos de rally, recebeu várias taças e foi campeão mineiro em 1986, em dupla com seu filho mais velho.
Era muito religioso e sempre se envolveu com sua comunidade. Participou do movimento de casais das Equipes de Nossa Senhora, de 1963 a 1971. A partir de 1980, colaborou com o Encontro de Casais com Cristo – ECC e nos seus últimos quinze anos de vida organizou e ministrou palestras sobre diversos temas, entre eles a importância da fé nos revezes da vida. Foi Ministro da Eucaristia e atuou na formação da Comunidade Nossa Senhora Rainha das Famílias, tanto no Bairro das Mangabeiras, em Belo Horizonte, como em Lagoa Santa.
Participou do programa de Educação de Jovens e Adultos no Condomínio Amendoeiras, em Lagoa Santa, com a instalação de curso supletivo, e também colaborou no projeto de reforma da creche desse município.
Depois de várias viagens à Escandinávia, seu amigo cônsul norueguês teve que se retirar do país e propôs que Mário assumisse o cargo de Cônsul
Honorário da Noruega em Minas Gerais, o que aconteceu desde novembro de 1979. Foi presidente da Associação dos Moradores do Bairro das Mangabeiras de 1995 a 1997, e também cofundador e presidente da União das Associações da Zona Sul de Belo Horizonte. Atuou como presidente da FLAMA, órgão mantenedor da Fundação de Educação Artística. Reestruturou o corpo de funcionários do hospital da Associação Mineira de Reabilitação - AMR, onde coordenou o trabalho de mais de 80 voluntários. Durante anos, ajudou doentes de câncer, importando da Suécia medicamentos não produzidos ainda no Brasil, mesmo antes de ser acometido por essa doença, que acabaria por lhe tirar a vida. Durante os quase oito anos de tratamento, sempre procurou amparar e apoiar aqueles que sofriam do mesmo mal.
Em todas essas atividades, Mário Cenni fez muitos amigos, sendo uma pessoa bastante conhecida e querida nas cidades de Belo Horizonte, Betim e Lagoa Santa. Faleceu no final de novembro de 2001, aos 66 anos de idade. Compareceram ao velório, em sua casa no bairro de Mangabeiras, dirigentes de diversas associações de engenharia nas quais atuou, cônsules representando países, empregadas domésticas que trabalharam por anos nas casas em que morou, meninos deficientes da AMR e vários dos tantos amigos, com elogios bastante emocionados. As 27 corbelhas, uma demonstração de como Mário Cenni foi estimado, estavam dispostas na sala, na entrada da casa e também pela calçada, surpreendendo os operários da construção em frente. Após a despedida com orações na sala, um longo cortejo acompanhou seu corpo, que foi enterrado no final da tarde no Cemitério Bosque da Esperança, próximo a Belo Horizonte.
Mário com parte de sua família no término da construção da casa da Lagoa Santa
Família Cenni reunida na casa da Lagoa Santa
Marcos, Marcelo, Ana Liddy, Marianna, e Mario Júnior (sentado), em comemoração aos 90 anos da mãe Anna Maria (junho de 2026)
Mário gostava dos bichos, foi juiz cinófilo
Mário na praia de Carapebus, Vitória (década de 1980)
Mário e Anna em viagem pela Europa (década de 1990)
Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, 6 de dezembro de 2001
Carta às primas
Queridas Silvana e Manuela
A despedida do Mário foi comovente. Pessoas das mais diversas procedências foram à sua casa – antigas empregadas, diretores da ESAB, jovens deficientes físicos, vendedores da região da Lagoa Santa, cônsules de Belo Horizonte – enfim, Mário tinha muitos amigos em todas as atividades de que participou. Até mesmo os empregados da construção em frente ficaram observando respeitosamente o movimento incessante na casa de janelas vermelhas, a quantidade de carros que congestionou as ruas próximas, a bandeira da Noruega a meio-pau, as corbelhas que não paravam de chegar e se avolumavam na calçada.
Na missa rezada na sala foi difícil conter a comoção, até o padre chorou. Anna Maria, porém, foi muito corajosa, conseguiu falar belas palavras e chegou sem tropeçar até o fim do que queria dizer; depois o padre Inácio – que criou o Partido dos Trabalhadores em Belo Horizonte – comentou algumas divergências entre as ideias dele e as do Mário, que no fim almejavam o mesmo. Mário estava logo na entrada, no meio da sala de visita, todo de branco, com o rosto sereno, segurando o pequeno crucifixo que pertencera a seu pai e recebendo a afeição das centenas de pessoas que o amavam. E como o amavam!
Difícil ver tanta gente junta sentindo tão intensamente a mesma emoção. A nossa dor contrastava com a alegria de termos tido o privilégio de conviver com uma pessoa tão querida. No cemitério-jardim, a cova que lhe destinaram foi pequena demais para a sua grandeza. Cáceres, o amigo mais fiel que alguém poderia desejar, disse naquele momento que cada homem possui um pouco de Deus em si, porém a cota que coube ao Mário foi bastante exagerada. E, no final da tarde, quando caminhávamos para o novo jazigo, as corujas vieram prestar uma última homenagem a um grande amigo dos animais. Vai ser difícil viver sem o Mário. Todos nós ficamos empobrecidos e a dignidade perdeu um dos seus maiores defensores.
Roberto Cenni (novembro 2001)