Autorretrato de Italo
Italo em seu ateliê
Retrato de Italo, feito por sua irmã Elda
Italo Cenni
(Milão, 26 de outubro de 1874 – Colmegna, Itália, 30 de janeiro de 1956)
Italo fez seus estudos na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão, tendo aulas com Vespasiano Bignami e Ludovico Pogliaghi, professores famosos na época. Por mais de vinte anos, ocupou a cátedra de desenho no Colégio Arquiepiscopal de Saronno.
Inicialmente Italo dedicou-se à composição de imagens religiosas, pintando afrescos nas igrejas de Crodo ( província de Novara), de Brezzo di Bedero (Lombardia), de Caviano (cantão do Ticino, Gambarogno, Suiça) e nas de Garabiolo e Cadero (Vale do Veddasca, Suiça), que datam de 1905 a 1925.
Estas localidades são vilas e pequenas comunas ao norte da Itália e próximas à fronteira com a Suiça, na região alpina, onde Italo recebeu encomendas para pintura mural sacra. Distinguiu-se na iconografia religiosa por uma pintura retratando São Francisco de Assis, realizada para a igreja da terceira ordem franciscana de San Tommaso in Terra Mara, em Milão.
Contudo logo seguiu os passos de seu pai, Quinto Cenni, que foi o maior ilustrador de uniformes italianos e estrangeiros de seu país e um historiador rigoroso, que se baseava diretamente nos testemunhos dos protagonistas do Risorgimento Italiano, incluindo o próprio Garibaldi, de quem se conserva uma carta autografada. Tornou-se especialista em paisagens, cavalos, cenas de caça, episódios militares e batalhas, dentre as quais a de Napoleão durante a Campanha da Rússia, sua obra mais importante e significativa. Também pintou paisagens e aquarelas bastante elaboradas de caçadas a cavalo. Devido ao seu grande interesse por cavalos, Italo frequentou, em 1893, um curso de anatomia sobre esse animal na Real Scuola di Medicina Veterinaria de Milano. Colabora com sua irmã Elda na revista L'Illustrazione militare italiana, fundada por seu pai, e no Giornale del soldato, fundado em 1898 e publicado pelo Exército Italiano. Auxiliou ainda seu pai, Quinto, na compilação do Album della Guerra italo-turca e della conquista della Libia, fato que se deu em 1911 e 1912. Italo sempre procurava uma perfeita reprodução do acontecimento histórico, o que pode ser constatado em uma nota sua: “Para fazer uma pintura, destinada a ser reproduzida em cartazes escolares, a batalha de Calatafini, eu li 22 livros que a descrevem”.
Em 1905 casou-se com Maria Cantù, que conheceu durante suas visitas periódicas a Colmegna, distrito próximo a Luino. Tiveram três filhos: Zenaide, que faleceu prematuramente em 1925; Franco, que emigrou para o Brasil e nunca mais voltou à Itália; e Elisa, que permaneceu morando em Milão e teve duas filhas. A perda de Zenaide, primeira filha de Italo, aos dezoito anos, causou-lhe imensa dor; mesmo apaziguado pela fé, um sofrimento sutil aparece em sua obra posterior.
Retrato de Maria Cantù, feito por seu marido Italo
Italo Cenni em seu estúdio, pintura de Elda Cenni
Retrato de Liddy Chiaffarelli, feito por Italo
Pintou o exército e a natureza
Em 1911, Italo dedicou-se a esboços para cartões-postais ilustrados a pedido da editora Vallardi, que publicou 52 temas diferentes. Trabalhou também para Pettinaroli e Duval, que utilizaram suas pinturas em cartões-postais e almanaques. Seu trabalho como ilustrador de calendários e cartões-postais do exército é considerado bastante significativo, tanto do ponto de vista artístico quanto documental. Os temas retratam feitos gloriosos dos regimentos, seus uniformes antigos e suas bandeiras.
Em 1914, publicou L'esercito italiano, um álbum com dezesseis ilustrações coloridas realizado pela editora Vallardi, hoje pertencente a poucos colecionadores. Colaborou ainda na Enciclopédia Vallardi e ilustrou livros de história para escolas. Foi apelidado de "o segundo Fattori", devido a sua maestria técnica e sensibilidade figurativa ao representar cenas militares de cavalaria e figuras em movimento, que lembravam o estilo vigoroso e expressivo do célebre pintor italiano Giovanni Fattori (1825-1808), líder da escola dos Macchiaioli, grupo artístico precursor do impressionismo italiano. Entre 1928 e 1943 recebeu 200 encomendas oficias para ilustrar diversas unidades do exército, especialmente a cavalaria, devido a sua habilidade no desenho de cavalos e cenas militares equestres.
Italo pintou inúmeras obras a óleo, têmperas e aquarelas, que hoje se encontram em coleções particulares, principalmente na Lombardia; também
realizou encomendas, com algumas de suas obras presentes na Inglaterra, Espanha e Bélgica. Sua característica mais marcante foi a extraordinária versatilidade em diversas técnicas, e seu trabalho denotava sempre uma mão que conhecia a fundo o mestiere (ofício) do pintor. Anotava em seus pequenos livros todas as impressões e detalhes com meticulosidade impressionante. Em algumas pinturas de pequeno formato evidencia-se a influência dos Macchiaioli (grupo de pintores italianos do século XIX que revolucionaram a arte com uma técnica baseada em manchas de cor e luz, antecipando o impressionismo). O interesse de Italo pelo campo, pela natureza, pelas pequenas vilas e pela gente comum, retratados com espontaneidade e realismo, bastante presente em sua produção tardia, também o aproxima da experiência desse movimento artístico da Toscana.
Em 1943, Italo Cenni e sua esposa Maria partiram definitivamente de Milão devido aos bombardeios aéreos americanos, mudando-se para La Torretta, propriedade de Angelo, pai de seu sogro Giuseppe Cantù, que havia adquirido essa casa de campo em Colmegna na segunda metade do século XIX. Italo passou o resto da vida ali, imerso em seus estudos e dedicado à pintura. Faleceu à beira do Lago Maggiore, aos 81 anos, e está enterrado no pequeno cemitério de Colmegna.
"Madonna della Pace", pintura de Italo Cenni, igreja de Colmegna
Pintura de Italo Cenni
Pintura de Italo Cenni
Presidente mexicano Porfirio Diaz montado a cavalo (1890)
Pintura de Italo Cenni
Livro com ilustrações e desenhos em aquarela que retratam os uniformes das tropas da Sardenha (1938)
Autorretrato
Ilustrações de Italo Cenni
Pintura de Italo Cenni