Ítalo Cenni, 02

 
 

Retrato de Maria Cantù, feito por seu marido Italo

 

Em 1911, Italo dedicou-se a esboços para cartões-postais ilustrados a pedido da editora Vallardi, que publicou 52 temas diferentes. Trabalhou também para Pettinaroli e Duval, que utilizaram suas pinturas em cartões-postais e almanaques. Seu trabalho como ilustrador de calendários e cartões-postais do exército é considerado bastante significativo, tanto do ponto de vista artístico quanto documental. Os temas retratam feitos gloriosos dos regimentos, seus uniformes antigos e suas bandeiras.

Em 1914, publicou L'esercito italiano, um álbum com dezesseis ilustrações coloridas realizado pela editora Vallardi, hoje pertencente a poucos colecionadores. Colaborou ainda na Enciclopédia Vallardi e ilustrou livros de história para escolas. Foi apelidado de "o segundo Fattori", devido a sua maestria técnica e sensibilidade figurativa ao representar cenas militares de cavalaria e figuras em movimento, que lembravam o estilo vigoroso e expressivo do célebre pintor italiano Giovanni Fattori (1825-1808), líder da escola dos Macchiaioli, grupo artístico precursor do impressionismo italiano. Entre 1928 e 1943 recebeu 200 encomendas oficias para ilustrar diversas unidades do exército, especialmente a cavalaria, devido a sua habilidade no desenho de cavalos e cenas militares equestres.

Italo pintou inúmeras obras a óleo, têmperas e aquarelas, que hoje se encontram em coleções particulares, principalmente na Lombardia; também
realizou encomendas, com algumas de suas obras presentes na Inglaterra, Espanha e Bélgica. Sua característica mais marcante foi a extraordinária versatilidade em diversas técnicas, e seu trabalho denotava sempre uma mão que conhecia a fundo o mestiere (ofício) do pintor. Anotava em seus pequenos livros todas as impressões e detalhes com meticulosidade impressionante. Em algumas pinturas de pequeno formato evidencia-se a influência dos Macchiaioli (grupo de pintores italianos do século XIX que revolucionaram a arte com uma técnica baseada em manchas de cor e luz, antecipando o impressionismo). O interesse de Italo pelo campo, pela natureza, pelas pequenas vilas e pela gente comum, retratados com espontaneidade e realismo, bastante presente em sua produção tardia, também o aproxima da experiência desse movimento artístico da Toscana.

Em 1943, Italo Cenni e sua esposa Maria partiram definitivamente de Milão devido aos bombardeios aéreos americanos, mudando-se para La Torretta, propriedade do pai de seu sogro Giuseppe Cantù, que havia adquirido essa casa de campo em Colmegna na segunda metade do século XIX. Italo passou o resto da vida ali, imerso em seus estudos e dedicado à pintura. Faleceu à beira do Lago Maggiore, aos 81 anos, e está enterrado no pequeno cemitério de Colmegna.

 
silvia ribeiro

webdesign, portfolio, visual identity, digital art: stories with a unique look

https://www.silviaribeiro.com
Anterior
Anterior

Franco Cenni, 01

Próximo
Próximo

Ítalo Cenni, 01