Luigi, 03
Wilhelmina, Liddy, Miécio Horchowsky, Antonieta Rudge, Luigi Chiaffarelli, Dr. Buscaglia
Chiaffarelli logo organizou vários concertos didáticos (os famosos concertos históricos, no Salão Steiway, que chegaram a sessenta) para formar os ouvintes e possibilitar a exibição de seus alunos, incluindo também trios, quartetos e quintetos compostos por outros instrumentos, buscando ampliar o universo sonoro do público, costumeiramente restrito aos solos de piano.
Em 1899, Camile Saint-Saens veio ao Brasil e acompanhou as apresentações na casa dos Chiaffarelli, tocando com as alunas. Os Saraus Musicais, realizados na residência da Barra Funda, foram iniciados em 1901 e desenvolveram-se até 1915. No período entre 1913 e 1915, Luigi Chiaffarelli recebeu a colaboração do Maestro Agostino Cantù, que havia se casado com Liddy e era seu genro, para organizar os seis programas anuais.
Em 1918, Luigi e Agostino foram morar juntos na rua Padre João Manuel, n.83, (local onde hoje se encontra o Colégio Iavne, de tradição judaica) e, em 1919, inicia-se uma nova série de concertos para um público restrito de alunos e amantes da arte pianística – os Vesperais, realizados nas tardes do terceiro domingo de cada mês.
A qualquer hora do dia ou da noite havia alguém tocando piano na casa, que chegou a receber Harold Bauer, Pablo Casals, Ernest Schelling, Ignacy Jan Paderewski e Vaslav Nijinski, entre muitos outros. Nessa época era comum pianistas tocarem transcrições, adaptações e fantasias sobre obras sinfônicas e trechos de óperas. Chiaffarelli tinha constante preocupação em modificar esse hábito, apresentando aos seus alunos obras dos principais compositores modernos – como Albeniz, Borodini, Debussy, Fauré, Glazounov, Grieg, Mahler, Rachmaninoff, Ravel, Saint-Säens, Smetana, Stopowski, Tchaikowsky – e dezenas de outros musicistas menos conhecidos hoje.
Entre os brasileiros, estavam Carlos Gomes, Leopoldo Miguez, Henrique Oswald, Alberto Nepomuceno, Alexandre Levy, Heitor Villa- Lobos e Brasílio Itiberê da Cunha.
anos 20, uma audição na casa da Rua Padre João Manuel
casa da padre João Manoel
A casa foi projetada pelo escritório Ramos de Azevedo e a planta foi assinada por Giovanni Battista Bianchi (1885-1942). A mansão era formada por duas grandes casas geminadas de dois andares, independentes e idênticas, unidas ao centro por um grande salão de concerto ladeado por varandas que davam para o jardim de jabuticabeiras. O salão podia receber 150 pessoas em cadeiras de madeira e tinha no palco dois pianos de cauda inteira e um órgão no meio. No térreo estavam esse grande salão de música, salas de estar e jantar, biblioteca, sala de bilhar ; no primeiro andar havia as áreas mais individuais, como dormitórios de cada família de músicos, quartos de hóspedes e áreas de apoio.