Guiomar Novaes
Guiomar Novaes aos 6 anos
São João da Boa Vista, 28 de fevereiro de 1894 – São Paulo, 7 de março de 1979
Guiomar Novaes nasceu no interior do estado de São Paulo e foi a décima sétima dos dezenove filhos de seus pais. As irmãs tinham aulas de piano e logo Guiomar, aos quatro anos, começou a tocá-lo de ouvido. Com seis anos, sua família mudou-se para São Paulo e ela iniciou seus estudos com Luigi Chiaffarelli. Segundo depoimentos, ele foi responsável pelo tom incomparável de Guiomar, seu legado sem emenda, sua mão esquerda que cantava frases desconhecidas e seu pedal que sustentava o som como se este estivesse “flutuando” no ar.
Em 1909 ganhou uma bolsa para estudar na Europa e em 1911 tirou o primeiro lugar no prestigiado concurso do Conservatório de Paris, superando dezenas de candidatos — feito raríssimo para uma estrangeira, e ainda adolescente –, tendo sido elogiada por Debussy. Nesse conservatório estudou com o mestre húngaro Isidore Philipp, que afirmou não ter ensinado nada à aluna e sim aprendido com ela a técnica de Chiaffarelli.
A partir de 1915, Guiomar começou a tocar em várias cidades nos Estados Unidos e foi aclamada pela crítica, que a chamava de Lady of the Singing Tone. Apesar do seu sucesso, a pianista sempre consultava Chiaffarelli sobre as interpretações. Ao se apresentar no Carnegie Hall, foi aplaudida de pé por quinze minutos; após esse concerto, continuou a tocar nos EUA por 57 anos, quando em 1938, depois de uma audição para o presidente Franklin Roosevelt, a imprensa americana a considerou a melhor pianista do mundo. Foi convidada a tocar com as principais orquestras e regentes do século XX. Guiomar ficou especialmente conhecida por suas interpretações das obras de Chopin (que são consideradas referências históricas), Schumann, Liszt e Debussy.
Nas décadas de 1960 e 1970, foi condecorada com diversos títulos, medalhas, insígnias, comendas e homenagens, tanto no Brasil como no exterior. Seu estilo ficou conhecido pela naturalidade, lirismo, clareza de vozes e profundo senso poético, evitando exibicionismo excessivo. Guiomar Novaes consolidou a escola pianística de Luigi Chiaffarelli.
Em 1979 a pianista sofreu um derrame cerebral, vindo a falecer em seguida devido a um infarto, com 85 anos. Todos os grandes jornais americanos publicaram um anúncio fúnebre intitulado In Tribute to Guiomar Novaes. Seu velório aconteceu na Academia Paulista de Letras e foi enterrada no Cemitério da Consolação, ao som da Marcha Fúnebre, de Beethoven, executada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, regida pelo Maestro Eleazar de Carvalho.
Em sua homenagem há uma Rua Guiomar Novaes, no Jardim Santa Lucrécia, zona norte de São Paulo, e uma avenida com seu nome no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.
Filme INFINITIVAMENTE GUIOMAR NOVAIS - Direção, Norma Benguell.