Franco Cenni, 02
Franco desenhando cenários na década de 1950
Participou de aproximadamente vinte filmes, todos realizados na década de 1950. Deu aulas de cenografia no cinema, entusiasmando seus alunos a seguirem a carreira cinematográfica. Alguns o chamavam il professore-pittore. Em janeiro de 1960 ganhou o concurso promovido pela Companhia Antarctica Paulista, o Prêmio Itália, para obras literárias sobre a presença do italiano na história e no desenvolvimento do Brasil. O concurso, com uma comissão julgadora da qual fazia parte Antonio Cândido, foi instituído quando da visita do então presidente italiano Giovanni Gronchi ao país, originando o livro Italianos no Brasil (Andiamo in Merica), publicado na época pela Editora Martins. A obra é considerada um estudo fundamental sobre a imigração, abordando desde viajantes pioneiros até o período pré-Segunda Guerra Mundial, com ênfase na influência italiana na cultura, artes e sociedade brasileira. Foi reeditado pela EDUSP, com prefácio de Alfredo Bosi, e reimpresso mais duas vezes.
Na década de 1960, com o cinema paulista em crise, Cenni participou de temporadas líricas no Teatro Municipal de São Paulo, como regisseur e
cenógrafo. Foi também redator-chefe do Fanfulla, jornal da coletividade italiana em São Paulo, e trabalhou com Edoardo Bizzarri – historiador literário que traduziu obras de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa para o italiano – no Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, sendo responsável pela programação cultural do Instituto. Recebeu a Medaglia d’argento della Direzione Generale delle Relazioni Culturali del Ministero degli Affari Esteri (1962) e a condecoração de Cavaliere Ufficiale dell ‘Ordine al Merito della Repubblica Italiana’ (1963).
A partir de 1967 foi o diretor do Auditório Itália e da Galeria de Arte Itália – ligados ao Circollo Italiano, no Edifício Itália –, promovendo a vinda de músicos italianos e incentivando montagens teatrais de diretores de vanguarda da época. Nesse período, o Auditório Itália tinha o melhor piano de São Paulo e todos os pianistas queriam tocar nele. O nome de Cenni foi um dos cogitados para ser o Secretário Municipal de Cultura de São Paulo quando ainda se pretendia a criação desse cargo, mas, como Franco nunca se naturalizou brasileiro, isto não seria possível.
Franco Cenni faleceu exercendo a função de diretor do Auditório Itália, no dia 26 de fevereiro de 1973, em São Paulo, vítima de uma embolia pulmonar
causada por arritmias, tendo vivido por mais de quarenta anos no Brasil.
Abertura de exposição de obras de Franco Cenni no Rio de Janeiro; ele está sentado no meio, de terno claro, e sua esposa Zitú, de preto à esquerda, com Mário, o filho do casal (29 de junho de 1940)
Abertura de exposição de obras de Franco Cenni no Rio de Janeiro; ele é o terceiro sentado à esquerda (16 de junho de 1939)
Franco em sua juventude na Itália
Reportagem sobre a morte de Franco Cenni, jornal "La Settimana", 28 de fevereiro de 1973.