Luigi, 07
1956, Comemoração do centenário de nascimento de Luigi Chiaffarelli - Liddy de óculos, atrás dela Francisco Mignone e em pé Villa Lobos
“Escola Chiaffarelli”
Luigi faleceu aos 66 anos de tuberculose, doença que já havia vitimado uma de suas irmãs e que era conhecida na época como “mal do século”. A missa em sua homenagem aconteceu no mosteiro de São Bento, que foi tomado pelas alunas, amigos e admiradores, com a presença de orquestras, cantos litúrgicos e organistas. Ao término, as alunas foram em romaria ao seu túmulo depositar flores, no Cemitério da Consolação, quando discursou o dr. Reynaldo Porchat, diretor da Faculdade de Direito da USP, enaltecendo “ a erudição perfeita, sem jactância: o talento primoroso, sem vaidades; a exigência presente no ensino de Chiaffarelli”. E continuou assim: “mas era sempre afável, comunicativo e cortês...Recebia com a mesma generosidade a todos os artistas que revelavam mérito, descobrindo e cultivando o talento de meninas de condição modesta; várias instituições de caridade lhe pediram ajuda e Chiaffarelli as atendia, organizando apresentações de suas alunas”. Terminou afirmando que “as brilhantes alunas hão de manter, religiosamente, a fama da ‘Escola Chiaffarelli’, a qual foi, incontestavelmente, o maior e o mais eficaz fator do progresso da música entre nós”.
Após sua morte, houve vários concursos e concertos prestando-lhe homenagem. No seu centenário, no intervalo do concerto realizado no Teatro Municipal de São Paulo – do qual participaram alguns de seus alunos mais destacados, executando obras para três pianos e orquestra –, foi inaugurado um busto de Chiaffarelli no saguão do teatro, escultura esta que havia sido ofertada pelos seus alunos quando o maestro completara 60 anos.
Com sua pedagogia instrumental e teórica pioneira, desenvolvendo conceitos como o de que, para se ter uma boa técnica, é necessário o aprendizado de estética e estilos musicais, Chiaffarelli influenciou todo o ensino de música que lhe sucedeu, além de transformar o ambiente musical paulista, dando profundidade ao estudo de piano que antes pertencia apenas a uma elite aristocrática reunida em volta da Corte. Quando faleceu seu genro Agostino Cantù, houve a doação da biblioteca da rua Padre João Manuel para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, entidade de cuja fundação Chiaffarelli participou, em 1906, e onde lecionou. O seu órgão foi doado ao Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara. Há uma Rua Maestro Chiaffarelli no Jardim Paulista, no centro expandido da cidade de São Paulo.
Franco Cenni, Elza Cantu Cenni (neta), Liddy Chiaffarelli (filha), Anna Maria, Mario Cenni e Roberto Cenni (bisnetos de Luigi Chiaffarelli) em 1958. ????
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Jornal Folha da Manhã, de 16 de agosto de 1959, reportagem homenageando Luigi Chiaffarelli. A foto mostra a filha (Liddy), a neta ( Elsa) e o bisneto (Roberto) em frente ao painel pintado por Franco Cenni, em sua residência na Rua Bocaina.