Liddy, 01

Elisa Hedwig Carolina Mankel Chiaffarelli Mignone - Liddy
(São Paulo, 9 de maio de 1891 - Paraibuna, São Paulo , 26 de Novembro de 1962)

Filha do italiano Luigi Chiaffarelli e da alemã Wilhelmine Caroline Mankel, que se casaram na Europa in 1877, Liddy logo recebeu formação inicial do seu pai, que lhe ensinou piano, teoria musical, línguas e humanidades. Ainda criança, teve contato com renomados músicos nacionais e internacionais da época, que iam a sua casa acompanhar os recitais na sala de concerto. Herdou a tradição pianística desenvolvida por Luigi e passou a transmitir seus valores técnicos e estéticos, atuando como concertista em eventos e apresentações pelo país; além de tocar piano, também era cantora lírica em recitais, acompanhada pelo piano de seu pai.

Decidiu-se pelo ensino musical durante as várias viagens de estudo que fez à Europa e aos Estados Unidos, quando teve contato com inovadoras propostas nessa área, tais como as de Émile Jacques-Dalcroze (a música deve ser sentida no corpo antes do intelecto), Carl Orff (a música vinda do jogo, da palavra, da criação coletiva) e Edgard Willems (escuta interior consciente e musicalidade profunda). Esse aprendizado definiu sua formação, atitude pedagógica e textos escritos durante toda sua atividade profissional.

A música era tão presente na família Chiaffarelli que, ao invés de uma recepção formal para comemorar o noivado de Liddy com Agostino Cantù, promoveram um concerto com a participação de alunos e amigas. Casaram-se em 2 de dezembro de 1911, em São Paulo.

Liddy vivia em meio a encontros musicais e saraus, organizados tanto por seu pai como por seu marido, e teve dois filhos, Elsa e José Luiz. Nascido em 1915 e falecido em 1924, José Luiz, apelidado de Bida, tinha a “doença azul”, uma cardiopatia congênita cianótica; esta imperfeição provocava a passagem anômala de sangue venoso para a circulação arterial, resultando na mistura de sangue pobre e rico em oxigênio, o que provocava uma coloração azulada. Era uma doença frequentemente fatal na infância; apenas a partir da década de 1950 vieram as primeiras cirurgias corretivas com circulação extracorpórea. Liddy guardou a roupa de seu filho em um pequeno baú durante muitos anos e a morte de Bida provocou traumas profundos em sua irmã Elsa. Aos 23 anos, Elsa casou-se com seu primo Franco Cenni e teve dois filhos, Mário e Roberto, que foram muito próximos a Liddy.

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