Francisco Mignone

desenho de Vânia Mignone

Liddy e Francisco Mignone

 

Francisco Mignone
(São Paulo, 3 de setembro de1897 – Rio de Janeiro,19 de fevereiro de 1986)

Francisco Mignone era filho do flautista Alferio Mignone, que havia imigrado da Itália para o Brasil no ano anterior ao seu nascimento. Mignone recebeu formação musical desde a infância, estudando flauta com o pai e também piano; aos 13 anos já se apresentava como flautista e pianista em pequenas orquestras.

Em 1913 foi estudar no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e lá conheceu o escritor e musicólogo Mário de Andrade. Em 1917 formou-se em piano, flauta e composição, tendo sido aluno de Luigi Chiaffarelli e de Agostino Cantù. Durante esse período, participou de serenatas e compôs diversas peças populares, ligadas ao universo rural e sertanejo, algumas das quais sob o pseudônimo de Chico Bororó. Também era presença frequente nas rodas de choro dos bairros do Brás, Bixiga e Barra Funda.

Em 1920 foi estudar em Milão e lá escreveu sua primeira ópera, “O Contratador de Diamantes” (1924). Ao retornar, aproximou-se de Mário de Andrade e, com sua colaboração, compôs algumas de suas principais obras. Em 1932 mudou- se para o Rio de Janeiro com Liddy Chiaffarelli, onde se tornou professor de regência no Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da UFRJ.

Entre 1936 e 1956 compôs 14 trilhas de filmes, para as companhias Cinédia, Vera Cruz, Multifilmes e Corona. Ganhou o prêmio Saci de melhor trilha sonora pelo filme “Sob o céu da Bahia”, em 1957.

Em 1951 assumiu a diretoria do  Theatro Municipal do Rio de Janeiro e depois foi eleito presidente da Academia Brasileira de Música. Esse período corresponde a sua fase nacionalista, com influência do folclore brasileiro, que se estendeu até 1959, sendo que na década de 1960 dedicou-se a peças atonais durante dez anos. Em 1961 foi o regente do primeiro concerto da recém-fundada Orquestra da Rádio MEC, atual Orquestra Sinfônica Nacional, e foi seu primeiro regente titular.

Morou com  Liddy no Rio em frente ao Corte do Cantagalo até Liddy morrer em um acidente aéreo, em 1962. Depois disso, Mignone entrou em uma fase bem mais introspectiva e compôs a 2ª Missa (em fá maior), escrita em 1963 e dedicada “em memória de Liddy Chiaffarelli Mignone”. Na partitura, Mignone anotou: “No céu há uma estrela a mais à minha espera. Para ela, esta música. Rio de Janeiro, 11/7/63.” Esta obra faz parte das sete missas sacras que Mignone compôs na década de 1960, todas com textos litúrgicos em latim.

Posteriormente, em 1964, Mignone casou-se com a concertista, e ex-aluna de Liddy, Maria Josephina Bensoussan, tendo sido pai de Anete Rubin, com quem conviveu até sua morte.

Ao retomar a composição tonal, criou outras duas óperas, “O Chalaça” (1976) e “O Sargento de Milícias” (1978). Sua obra é extensa e abrange os mais diversos gêneros, incluindo composições para piano, como as “Lendas Sertanejas” e as “12 Valsas de Esquina”; obras orquestrais como “Festa das Igrejas” e a “Sinfonia Tropical”; balés como “Leilão”, “Quincas Berro D’Água” e “Maracatu do Chico Rei”; bem como obras para violão e oboé, canções e as três óperas.

Durante sua carreira recebeu diversos prêmios e honrarias, como a Ordem do Rio Branco (1972), o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro (1979) e o Prêmio Shell de Música Brasileira (1982).

Mignone morreu no Rio de Janeiro, aos 88 anos, de câncer no pulmão. Maria Josephina, que fundou o Centro Cultural Francisco Mignone, continuou a executar e interpretar sua música, tendo falecido em julho de 2024, aos 101 anos. Hoje Anete Rubin é a responsável pela divulgação de sua obra. Há duas escolas (São Paulo e Rondônia) e dois CIEPs (Rio de Janeiro) com o nome Francisco Mignone. Foram realizadas cinco teses de doutorado e uma de mestrado sobre a música de Mignone.

 
 

cartão com dizer de Mignone

 

selo comemorativo ao centenário de Francisco Mignone

Liddy e Mignone

 

para ouvir

Valsa de esquina #5
Francisco Mignone
 

obra de Vânia Mignone

 

para ouvir e ver

As 12 Valsas de Esquina
https://youtu.be/pzcxvM7tPWM?si=8IcIfcExqZBMAVwg

Congada ( Duo pianístico Freire e Argerich) https://youtu.be/IGLKv-FoyFU
Estudos para violão solo (Fábio Zanon) https://youtu.be/fS3kQ9ZQDeo

O Contractador de Diamantes (Teatro Amazonas, 2023)
https://youtu.be/sdEGaygTOAM)

Manuscritos de Buenos Aires (Composições de Mignone para violão)
https://youtu.be/3vX0vduw6as?si=3BmCGQkaqv1vT6OF

Lição de Piano (filme sobre Mignone) https://youtu.be/ehW0Ovy8KYQ

Cantiga de ninar dedicada a Liddy
https://youtu.be/wYAZAf80k4o?si=QM_nY5Hic_9Apm1N‍ ‍

Obras para piano ( Maria Josephina Mignone, 1981)
https://youtu.be/bQc4LIccL60

para ler:

O Idiomático de Francisco Mignone nas 12 Valsas de Esquina e 12 Valsas Choro (tese de mestrado) https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27158/tde- 19112010-114323/publico/4784090.pdf


desenho de Vânia Mignone

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